Ensaios

A representação do outro em Deus e o Diabo na Terra do Sol

Por Roberto Barcelos

A promessa de o mar virar sertão e o sertão virar mar é um ponto de esperança na narrativa do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). Dirigido e roteirizado pelo cineasta Glauber Rocha com a colaboração do documentarista Walter Lima Jr., o longa-metragem faz valer ao nome o diretor ao lado de outras obras dele, como “Barravento” (1962) e “Terra em Transe” (1967). No filme, encontramos o posicionamento político do diretor como um autor, dono de sua obra e de um pensamento forte de revolução. Todavia, sua temática socialista e a luta do proletariado contra o sistema que o oprime é compreendido, infelizmente, apenas por aqueles que estudam a obra do Glauber Rocha e a sua importância para o cinema nacional.

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Crítica de Mídia e Arte Urbana: manifestações culturais e visibilidades periféricas

Por Rosana de Lima Soares

Na oficina “Crítica de Mídia e Arte Urbana”, buscamos apontar a presença da arte urbana na cidade de São Paulo (SP) e as diferentes narrativas presentes nas mídias a respeito dessa questão, tendo como objetivo analisá-las em perspectiva crítica a partir de aportes dos estudos de discurso e dos estudos culturais. Os objetivos foram: a) compreender a função da crítica de mídia; b) observar diversas narrativas midiáticas em torno de uma mesma questão, enfatizando os estigmas, estereótipos e preconceitos nelas presentes; c) realizar a análise crítica de narrativas midiáticas sobre a questão do grafite na cidade de São Paulo.

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Whitewashing: a herança de um passado xenófobo na indústria do cinema

Por Roberto Barcelos

Apesar das inúmeras contribuições do cinema hollywoodiano para a indústria audiovisual, existem certas lógicas de seu sistema que influenciam a construção social e a marginalização e estereotipização de certos grupos sociais em diversos níveis. O whitewashing é uma forma de violência simbólica que elimina a representação de etnias não caucasianas em filmes, séries, seriados e novelas, criando uma realidade narrativa composta por personagens de aparências homogêneas de acordo com o padrão de beleza vendido por essa indústria. Essa prática recorrente, ainda, elimina a representatividade e naturaliza preconceitos.

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Feminino de peitos

Por Juliana Gusman

Lévi-Strauss, citado por Rodrigues (1979) propõe abordar a sociedade a partir da perspectiva de que o comportamento humano e as relações sociais constituem uma linguagem. Para o autor, o espírito humano opera em uma estruturação inconsciente que ordena relações entre sujeitos e o mundo. Organizar, para Lévi-Strauss, significa atribuir e reconhecer sentidos disponíveis no cotidiano. Tratam-se de normas que estipulam, instituem e convencionam valores e significações que possibilitam a comunicação entre sujeitos e grupos. A sociedade é encarada como uma construção de pensamentos individuais, coletivos e compartilhados. A cultura seria, portanto, uma espécie de mapa que orienta comportamentos na vida social.

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Black Mirror: Cinismo e Crítica da Mídia em “15 milhões de méritos”

Por Julia Lery

Seguindo a tradição das distopias, recentemente resgatadas pelas séries televisivas, episódio “15 Milhões de Méritos” (Euros Lyn, 2011), de Black Mirror, aborda um futuro opressor exagerado, mas incrivelmente próximo de realidades presentes e cotidianas. É exatamente por conta dessa identificação que sentimos ao ver a série que o jargão e a hashtag “isso é tão Black Mirror” tornam-se parte das conversas cotidianas e postagens nas redes sociais.

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Diante da dor dos outros: a cobertura do sofrimento humano em ocorrências de terremotos no mundo

Por Eliziane Silva Oliveira

Na madrugada do dia 24 de agosto de 2016 – ainda noite do dia 23 no Brasil – um terremoto de 6.2 graus na Escala Richter atingiu a região central da Itália, deixando cerca de 300 mortos, dezenas de feridos e centenas de pessoas desabrigadas. Abalos sísmicos na Itália são relativamente frequentes. Entre as explicações apresentadas por cientistas para a intensa atividade sísmica na região estão o grande atrito entre as placas tectônicas da Eurásia e da África e também a existência de um sistema de falhas ao longo de toda a extensão da Cordilheira dos Apeninos.

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A fala simples na reportagem

Por Caíque Pinheiro

No ultimo ano, a Academia Sueca fez juntar-se a nomes como Alice Munro, Doris Lessing, Mário Vargas Llosa e J.M. Coetzee a quase desconhecida Svetlana Aleksiévitch – uma senhora nascida ucraniana e criada na Bielorrúsia. Em comum, esses autores têm o Nobel de Literatura, mas, à diferença de quase todos, Svetlana o recebeu por sua obra não ficcional.

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O cinema de Leon Hirszman como investigação da realidade social

Por Pedro Vaz Perez

Um dos principais nomes do cinema novo no Brasil, Leon Hirszman dedicou sua carreira a filmar injustiças e opressões identificadas no tecido social do país, aprofundando, através do exemplo brasileiro, nas desigualdades do capitalismo. Exprimiu a dupla proposta do movimento cinemanovista – o exercício político e a experimentação estética –, ao longo de seus 12 curtas-metragens e oito longas-metragens, entre ficções e documentários. Registrou e ficcionalizou as relações de trabalho e de classe, as condições de vida e a expressão cultural da parcela batalhadora e sem privilégios da sociedade brasileira, através de uma linguagem seca e direta, buscando a comunicação sem abrir mão do apuro artístico. Em sua estética, informada pelo realismo crítico e pelas lições da montagem soviética, deu-nos a perceber essas realidades a partir de rígidas composições pictóricas e uma precisa direção de olhares, gestos, palavras e movimentos, em momentos combinados a um exercício documental de observação.

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O jornalismo reflexivo de Janet Malcom

Por Bruno Costa

A escrita de Janet Malcolm trabalha no limite da não ficção. Criativa, original, cuidadosa com as palavras, dotada de voz marcada e marcante, a jornalista possui amplo repertório cultural e capacidade de engajar o leitor. É quase surpreendente que Malcolm não tenha se tornado uma ficcionista. E por que ela não se tornou?

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Janet Malcom